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Em: 25/11/2019

O deputado Christino Áureo, como presidente da Frente Parlamentar para o Desenvolvimento

Sustentável do Petróleo e Energias Renováveis, vem acompanhando de perto os desdobramentos do acidente com derramamento de óleo no litoral brasileiro que atingiu, neste fim de semana, praias do litoral do Estado do Rio. Segundo Marinha as manchas de óleo encontradas nas praias de S. Francisco do Itabapoana, São João da Barra, Quissamã e Macaé, estão sendo analisadas para ver se correspondem ao mesmo tipo de petróleo encontrado no litoral do Nordeste e Espírito Santo. A encontrada em Grussai, São João da Barra, comprovou ser da mesma procedência. Em contato com pesquisadores, através da sua equipe, o deputado quer embasar seu projeto de lei que destinará recursos dos royalties do petróleo para o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo.

– As notícias que vemos, é que há um grande despreparo do país para solucionar o problema. Pesquisadores, tais como a Carina Böck, da COPPE/UFRJ, já tinham alertado que essas manchas poderiam chegar às praias do Estado do Rio. Temos que tomar esta situação como um aprendizado e investir seriamente em prevenção, e temos que agir rápido em busca de soluções – avalia o deputado.

Para Carina Böck, pesquisadora do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (LAMCE) da COPPE, integrante do grupo que analisa a origem do vazamento de óleo no Nordeste, a prevenção é muito menos dispendiosa do que o reparo do problema.

– Para descobrir a origem do vazamento, utilizamos a modelagem inversa, através da qual podemos determinar as possíveis trajetórias do óleo em superfície e em camadas mais profundas do oceano, até chegar a origem. Se tivéssemos um sistema de modelagem computacional operacional de alta resolução aplicado à toda a região costeira e oceânica adjacente do Brasil em funcionamento, a determinação da origem da mancha e de seu possível trajeto poderia ser feita em tempo menor. Essa ação tem um custo operacional, mas com certeza bem menor do que tivemos – afirmou a pesquisadora.

Segundo a pesquisadora, o LAMCE, em parceria com outras instituições de ensino, tem um projeto chamado Baía Viva, que fornece previsões diárias de ventos, correntes marinhas e ondas para toda a região da Baía de Guanabara. O projeto conta ainda, integrado aos modelos atmosférico e hidrodinâmicos, com um modelo operacional de transporte e dispersão de óleo, que considera um caso hipotético de vazamento de óleo na região da Baía de Guanabara, considerando as condições do dia de correntes marinhas e ventos.

– Sendo assim, iniciativas como essa, que podem ser aplicadas à qualquer região costeira e/ou oceânica do Brasil, podem embasar as ações de contingência dos vazamentos de forma imediata – conclui Böck.

Para Christino Áureo, é preciso destinar recursos para o PNC, a fim de prevenir este tipo de tragédia.

– Ao aprovar o nosso projeto de lei que transforme o PNC num modelo a ser seguido, com verbas para utilizar tecnologias como esta, apontada pela Coppe, que monitore nossa costa, poderemos prevenir acidentes como este ou pelo menos mitigar o efeito da poluição mais rapidamente. Afinal, 75 % do petróleo produzido no país esta em águas do estado do Rio. Até hoje, as empresas causadoras dos vazamentos tem atuado no contingenciamento, mas temos que estar preparados para situações adversas, como esta.

De acordo com a Marinha, a inspeção aconteceu nas praias de Santa Clara e Guriri, em São Francisco de Itabapoana; e na praia do Barreto, em Macaé. Já no Canal das Flechas, em Quissamã, foi recolhido aproximadamente um quilo de resíduo de óleo.