30ago
Em: 30/08/2020

Em reunião virtual, Frente, presidida por Christino Áureo, analisou cenário baseada em estudo feito pela PUC-RJ, em parceria com a BRASILCOM

A Frente Parlamentar para o Desenvolvimento Sustentável do Petróleo e Energias Renováveis (FREPER), presidida pelo deputado federal Christino Áureo (PP-RJ), reuniu-se virtualmente, nesta sexta-feira (28), para debater o futuro do refino no Brasil e a visão estratégia da Petrobras neste cenário. No último encontro da Frente, em julho, a PUC-RJ, em parceria com a BRASILCOM, havia apresentado estudo que analisava o tema e o impacto gerado no mercado com a venda de parte das refinarias da estatal e seria colocado em discussão com a empresa, que se posicionou diante do quadro.

– O cenário apresentado pela Petrobras nos mostra que temos condições de atrair investimentos privados, mas que é preciso debatermos. É importante saber como a FREPER pode colaborar para que estejamos inteirados dos assuntos que estejam a cargo da Câmara e do Senado a médio e longo prazo. O intuito da conversa é colocar todos numa mesma página da discussão, cada um no seu papel. Estamos tratando dos impactos objetivos de todo ecossistema que se forma em torno do refino e de como se comportará neste ou naquele cenário – afirma Christino Áureo.

Segundo Anelise Lara, diretora de refino e gás natural da Petrobras, o fim do monopólio da Petrobras poderá ser benéfico ao setor. É um assunto que vem sendo tratado há algum tempo.

– Nós já estamos estudando essa abertura do mercado de refino. Discutimos isso na Petrobras já faz uns três ou quatro anos. Vai promover um mercado mais dinâmico e aberto. Trará uma maior competitividade – destaca.

Já o diretor de relacionamento institucional da pertrolífera, Roberto Ardenghy, reforça a importância de se debater um tema tão importante para o país. Para ele, é preciso que todos os envolvidos estejam em sintonia.

– Por isso, acho que temos que chamar o CADE para esse debate. Será importante para os passos seguintes – comenta.

A Petrobras produz, hoje, 2,2 milhões de barris por dia, e o parque de refino abriga 14 refinarias. A estatal detém quase 100% da produção do Brasil. Com a abertura do mercado, ficará com 50% da produção, ou seja, 1,1 milhão de barris/dia. O termo de compromisso com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), determina que um mesmo comprador ou grupo econômico não poderá adquirir duas refinarias em conjunto.

Na visão de Mauricio Rejaile, presidente da BRASILCOM, é preciso que se tenha atenção em relação às regras adotadas para a privatização das refinarias.

– É uma preocupação das distribuidoras regionais também. Temos um caminho longo a seguir quanto à privatização, mas os pontos apresentados pela Petrobras foram bastante esclaecedores – avalia Rejaile.

Para o professor Márcio Thomé, um dos autores do estudo da PUC-RS, o tema, ainda que traga muitos benefícios, como competitividade, atração de investimentos e desenvolvimento portuário para importações e movimentações por cabotagens, apresenta pontos que merecem cuidado.

– Temos que ter preocupação com algumas questões levantadas, como a falta de infraestrutura de modais de alta capacidade, que pode limitar a competitividade. É muito importante que esse assunto de refino seja debatido pela Frente – analisa Thomé.

Interesse da sociedade

– Esse debate tem que vir para entendermos como tudo se operacionaliza. Em um outro momento, vamos trazer potenciais investidores para discutir e para que a sociedade veja que o interesse do investidor é legítimo. Se queremos um país novo, não podemos satanizar nenhuma das pontas envolvidas no processo de desenvolvimento. Ao contrário. Precisamos jogar luz sobre cada um dos players que compõem esse ambiente, para que vejamos que são processos transparentes e debatidos com a sociedade – conclui Christino Áureo.

Também participaram da reunião o deputado federal Paulo Ganime (NOVO-RJ), diretor de produção e exploração de petróleo da FREPER; Fernando Borges, gerente de relacionamento externo da Petrobras; Abel Leitão, da BRASILCOM; Deivson Timbó, do Ministério de Minas e Energia; além de outros representantes ligados ao setor.