13ago
Em: 13/08/2020

Sucessão de crises econômicas fez desocupação dos trabalhadores entre 18 e 24 anos mais que dobrar, segundo o IBGE; entre os mais velhos, taxa quase triplicou

O desemprego entre os jovens de 18 a 24 anos mais que dobrou em seis anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desocupação, nessa faixa etária, saltou de 13,1% no quarto trimestre de 2013, antes da crise econômica, para 27,1% no primeiro trimestre de 2020, quando o país já sentia os efeitos da pandemia do novo coronavírus. Isso quer dizer que um em cada quatro jovens que fazem parte da força de trabalho do país estava desempregado nos primeiros três meses do ano.

Na população com 60 anos ou mais, a taxa quase triplicou: passou de 1,6%, no quarto trimestre de 2013, para 4,4% no primeiro trimestre de 2020. Já entre os trabalhadores de 40 a 59 anos, a desocupação saltou de 3,2% para 7,5%.

Nesse período de pouco mais de seis anos, o Brasil passou por uma profunda recessão em 2015 e 2016, que se seguiu a uma lenta e insuficiente retomada. Agora, em 2020, o país vive os efeitos da pandemia e a expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) encolha 5,62%, a maior retração em mais de um século.

Para o deputado Christino Áureo (PP-RJ), as medidas que integravam a MP 905, da qual foi relator, continuam sendo de extrema importância para a geração de empregos, principalmente na retomada após a pandemia de Covid-19. Ambas as faixas etárias seriam beneficiadas pela criação da chamada Carteira Verde e Amarela, que desonera a folha de salários para estimular a contratação de jovens e trabalhadores com mais de 55 anos. A chamada ‘economia prateada’ é uma luta antiga do parlamentar.

– Temos pouco a comemorar em relação à empregabilidade dos jovens. Já conhecemos o mercado de trabalho com bastante profundidade. Ele tem sido muito cruel com essa faixa etária. À medida em que o país não consegue se desenvolver a taxas razoáveis, quem primeiro sofre os efeitos é aquele jovem de baixa qualificação, com pouco acesso à educação formal e, obviamente, oriundo de classes sociais tradicionalmente oprimidas dentro da nossa sociedade. Lamentavelmente precisamos retomar esse assunto, sabendo que todos os alertas que fizemos na virada do ano passado tiveram pouco efeito junto às autoridades. Mas nós seguiremos firmes nessa luta – afirma Christino Áureo.

No Estado do Rio, os dados também chamam a atenção. A taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos atingiu 34,1% no primeiro trimestre deste ano. Ou seja, um terço dos jovens fluminenses que faziam parte da força de trabalho estava desempregado no primeiro trimestre de 2020.

Nordeste lidera desemprego entre jovens

Atualmente, a taxa de desemprego entre os jovens (27,1%) é mais do que o dobro da taxa geral do país (12,2%). A situação é ainda mais grave na Região Nordeste, onde 34,1% dos trabalhadores entre 18 e 24 anos estavam desempregados no primeiro trimestre deste ano. Sudeste (27,5%), Norte (25,5%), Centro-Oeste (23,9%) e Sul (16,8%) aparecem na sequência.